Da casca da romã à embalagem do futuro: quando o desperdício alimenta – Equal Food Ir para o conteúdo
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Da casca da romã à embalagem do futuro: quando o desperdício alimenta a inovação

Da casca da romã à embalagem do futuro: quando o desperdício alimenta a inovação

Da casca da romã à embalagem do futuro: quando o desperdício alimenta a inovação

Imagina uma embalagem que não serve apenas para embrulhar alimentos.
Imagina que essa embalagem ajuda a conservar o alimento, a mantê-lo fresco por mais tempo e que, em vez de ser feita de plástico convencional, é produzida a partir de ingredientes naturais. Agora imagina que parte dessa embalagem nasce daquilo que hoje chamamos de desperdício alimentar.

Parece ficção científica? Na verdade, é ciência, e a romã é um excelente exemplo.

Já pensaste que, ao comer uma romã, descartas quase metade da fruta?

Quando comes uma romã, aproveitas apenas as sementes suculentas no interior.
A casca, que representa quase metade do fruto, acaba quase sempre no lixo. Mas essa casca, que à primeira vista parece inútil, está longe de ser apenas um resíduo. Ela é uma verdadeira fonte de compostos bioativos: compostos químicos naturais, que a planta usa para se proteger e que a ciência aprendeu a aproveitar os seus benefícios. 

Alguns exemplos:

  • Antioxidantes → funcionam como um “escudo”, atrasando o envelhecimento e a degradação dos alimentos.

  • Antimicrobianos → ajudam a travar o crescimento de microrganismos indesejáveis.

Na prática, estes compostos bioativos podem ajudar os alimentos a estragar mais devagar. E é aqui que entra a inovação!

Estamos habituados a embalagens que apenas envolvem e protegem fisicamente os alimentos. Mas existem embalagens que podem interagir de forma positiva com o alimento, são as embalagens ativas. Estas embalagens podem libertar lentamente compostos naturais para atrasar a oxidação e dificultar o crescimento de microrganismos e desta forma prolongar a validade do alimento, tudo isto sem alterar o alimento. Apenas ajudando-o a manter-se seguro e com qualidade por mais tempo.

Vários estudos científicos têm explorado a utilização da casca da romã em embalagens ativas, com resultados muito promissores, ficam aqui dois exemplos:

Um grupo de investigadores espanhóis desenvolveu uma embalagem com extrato de casca de romã e testaram-na na conservação de paio. O resultado? Melhor preservação da cor e aumento do prazo de validade até 100 dias em refrigeração.

Fonte: https://doi.org/10.3390/foods13030360

Investigadores portugueses também testaram incorporar a casca de romã em bioplásticos como o ácido polilático (PLA), um material biodegradável obtido a partir de fontes naturais. Essas embalagens mostraram capacidade para atrasar a oxidação da carne e reduzir o crescimento microbiano. Ou seja: menos plástico convencional, mais natureza a fazer o seu trabalho.

Fonte: https://www.mdpi.com/2079-6412/13/1/93)

O que tudo isto tem a ver com desperdício alimentar? Tudo! Porque ao transformar cascas de fruta em ingredientes para embalagens:

  • estamos a valorizar subprodutos que antes eram descartados;

  • criamos soluções que prolongam a vida dos alimentos;

  • reduzimos perdas ao longo da cadeia alimentar;

  • e diminuímos a dependência de plásticos convencionais.

É um ciclo mais inteligente, mais circular, exatamente a lógica que projetos como a EqualFood promovem ao dar uma segunda vida a frutas e legumes imperfeitos.

E nós, consumidores, também podemos fazer parte desta mudança porque nem toda a valorização da casca da romã exige laboratórios. Em casa também podemos secar cascas de romã para infusões ou transformá-las em pó para usos culinários específicos. Cada pequeno gesto ajuda a mudar a lógica do “lixo” para “recurso”.

Quando ciência, sustentabilidade e criatividade se encontram, até uma simples casca pode tornar-se parte da solução para um sistema alimentar mais justo e sustentável.

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